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02
Novembro
Derrubando mitos: Acreditar que normas de gestão elevam a burocracia é ignorar as razões do sucesso de quem está no topo.

Ao longo do último século, com a formação das grandes organizações e o surgimento da própria globalização econômica, foi sendo percebida a necessidade crescente pela criação e desenvolvimento de práticas de gestão que possibilitassem, dentre outros fatores, os seguintes benefícios:

  • Internos: maior controle das atividades, aumento da eficiência operacional das organizações, padronização de execução das atividades, rastreabilidade, preservação e perpetuação das melhorias operacionais obtidas;
  • Externos: criação de diferencial competitivo e, em alguns mercados, a própria sobrevivência do negócio.

Diante deste cenário, diversos estudiosos e teorias surgiram, assim como organizações internacionais, como a ISO (International Standard Organization), foram criadas com o objetivo de concentrar, organizar e disseminar todos os avanços obtidos neste campo.

“Devido à evolução dos modelos de gestão nas organizações, foram desenvolvidas normas para auxiliar as empresas a equilibrar os interesses econômico-financeiros com os impactos gerados pelas suas atividades. Sendo assim, as normas relativas à gestão do meio ambiente (ISO 14001:2004: Requisitos para o Sistema de Gestão Ambiental), a gestão da saúde e segurança do trabalho (OHSAS 18001:1999 – Occupational Health and Safety), assim como a gestão da responsabilidade social (ISO 16001:2004 – Responsabilidade Social: Requisitos do Sistema de Gestão), passaram a ser amplamente adotadas. Essas normas, assim como a ISO 9001:2000 (Requisitos do Sistema de Gestão da Qualidade), têm como foco a melhoria contínua da gestão, buscando assegurar o atendimento dos requisitos legais e regulamentares aplicáveis às atividades das empresas, o cumprimento de suas políticas e de seus compromissos com todas as partes interessadas e o atendimento de seus objetivos e metas” (Cerqueira, 2006).

Segundo Oliveira, Castro e Pinheiro (2007), a norma ISO 14001, por exemplo, possibilita uniformizar as rotinas e os procedimentos necessários para a certificação ambiental a partir do cumprimento de um roteiro padrão aceito internacionalmente, incluindo o atendimento a legislação local e visando a melhoria contínua dos processos e do próprio sistema.

No que tange a norma ISO 9001, segundo a ABNT (2000), acerca das empresas que objetivam a gestão pela qualidade e adequação à norma, estas necessitam demonstrar sua capacidade para fornecer de forma coerente produtos que atendam aos requisitos do cliente e requisitos regulamentares aplicáveis; e pretendem aumentar a satisfação do cliente por meio da efetiva aplicação do sistema, incluindo processos para melhoria contínua do sistema e garantia da conformidade com requisitos do cliente e requisitos regulamentares aplicáveis.

Barbalho (1996) definiu, com bastante propriedade, que a gestão pela qualidade é um “processo educacional que extravasa as fronteiras das organizações, em que o primeiro passo é desenvolver meios e métodos para conquistar e conservar o cliente”.

Quanto a implantação do Sistema de Gestão da Qualidade, Walter (2005) afirma que consideram-se requisitos gerais para a implantação da norma, cuja responsabilidade é da administração da organização:

“identificar os processos necessários para o sistema de gestão da qualidade e sua aplicação para a organização; determinar a seqüência e interação dos processos; determinar critérios e métodos necessários para assegurar que a operação e o controle desses processos resultem eficazes; assegurar a disponibilidade de recursos e informações necessários para apoiar a operação e o monitoramento desses processos; monitorar, medir e analisar esses processos; implementar e analisar esses processos; implementar ações necessárias para atingir os resultados planejados e a melhoria contínua desses processos” (Walter, 2005).

A Norma OHSAS 18001 foca a gestão da saúde e segurança ocupacional. Segundo a BSI-OHSAS 18001 – Occupational Health and Safety Assessment Series (1999), segurança e saúde no trabalho são as condições e os fatores que afetam o bem-estar de funcionários, trabalhadores temporários, pessoal contratado, visitantes e qualquer outra pessoa no local de trabalho. A submissão dos trabalhadores a condições impróprias de trabalho, além de ser um grande fator de risco a acidentes, pode reduzir a capacidade produtiva de uma organização, por isso sua adequada gestão tem se mostrado um importante fator para o aumento da produtividade e competitividade das empresas.

Segundo Quelhas, Alves e Filardo (2003), a melhoria na segurança e saúde no trabalho reduz o custo do produto final, pois diminui as interrupções no processo, o absenteísmo e os acidentes e doenças ocupacionais.

Para Trivelato (2002), a implantação de sistemas de gestão da segurança e saúde no trabalho ainda pode ser usado pelas empresas como um fator para o aumento de sua competitividade, a medida em que reduz o custo de afastamento de funcionários das empresas. Barbosa Filho (2001) salienta que a percepção que um funcionário admitido tem de uma empresa e de seu ambiente o influenciará em como se comportar no cotidiano. Por isso, são de suma importância aspectos como ordem, limpeza e asseio pessoal, bem como a própria organização e utilização dos espaços por meio de um layout adequado.

No Brasil, a implantação e a certificação de sistemas de gestão de qualidade, de meio ambiente e de saúde e segurança ocupacional tornou-se mais e menos relevante, de acordo com o mercado. Em alguns casos, como a indústria de óleo e gás, o atendimento aos requisitos normativos em uma organização (fornecedor), mais do que representar práticas de gestão importantes e estratégicas da própria empresa, representa critério classificatório de qualificação junto aos clientes. Mais do que implantar a gestão com base nas normas citadas como uma estratégia competitiva, a implantação torna-se uma necessidade para se manter no mercado.

Por estas e outras razões as práticas de gestão vem se tornando cada vez mais uma realidade em todas as empresas, independente de seu porte e, as problemáticas envolvendo a complexidade de implantação destas ferramentas têm sido superadas através da criatividade e adequação as particularidades individuais de cada organização.