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Dezembro
Sinais de uma Gestão Ineficiente: Agindo na base do Impulso.

Em muitos dos nossos trabalhos nos deparamos com clientes que focam suas reclamações nos problemas relacionados à falta de rentabilidade, incompetência de funcionários, caixa deficitário e baixa produtividade.

Na verdade, como todo doente faz ao chegar ao médico, só se consegue dizer onde “o calo aperta” e dificilmente verifica-se junto ao cliente a capacidade em enxergar a origem real que leva ao sintoma relatado. Nada demais quanto a isso! Este é o nosso trabalho!

Existem aqueles que buscam ajuda especializada como a da TOTAL GESTÃO, e quando esta ajuda é competente e eficaz, o trabalho flui muito bem e, como temos observado no nosso caso, para muitos empresários é uma enorme surpresa quando chegamos ao foco de um problema de baixa produtividade, por exemplo, apontando o processo de recrutamento como a causa raiz. Normalmente o primeiro feedback que recebemos é: “Como assim?!?!”

A pior situação surge quando o empresário, já atarefado para manter o negócio “de pé”, resolve, por conta própria, buscar uma solução para aquilo que o atormenta de forma crônica. E, similarmente a um paciente que está com dor de cabeça há um mês e toma aspirina todo dia achando que esta resolvendo um problema que tem em sua origem uma miopia, o empresário gasta tempo e dinheiro criando uma solução paliativa, tais como: cortar custos irrisórios da companhia ou aumentando os preços de seus produtos, acreditando que elevará a sua rentabilidade, ou ainda, substituir em massa os profissionais supostamente “incompetentes”.

Agir por impulso, sem uma analise cuidadosa e um planejamento prévio do que fazer tende a agravar ainda mais o problema, por algumas razões:

- Recursos financeiros mal aplicados, investindo-se em soluções que não resolvem o problema, pois não atacam a causa raiz do mesmo;

- Retardo na tomada da decisão correta, levando a um agravamento da causa raiz do problema identificado, fato que, dependendo do tempo decorrido, pode até tornar a situação irreversível;

- Prejuízo à imagem interna da empresa, desgastes de relacionamento e perda de credibilidade junto aos colaboradores, por conta de decisões polêmicas e radicais tomadas e que nunca se extinguem, pois o problema nunca é resolvido, tais como: controlar o uso do papel higiênico nos banheiros ou cortar o “cafezinho”, acreditando que esta é a “grande sacada” para elevar a rentabilidade da empresa ou reduzir o problema de déficit de caixa.

Existem algumas ferramentas em um sistema de gestão de qualidade que ajudam na identificação da causa base de um problema, primeiro passo para buscar resolvê-lo, tais como: “5 Porquês”, Diagrama de Ishikawa e outras. Fato é que não adianta saber que existem caso você não saiba aplicá-las. Metodologias como esta nos permitiram solucionar problemas antes “insolúveis” em clientes, tal como a já comentada “incompetência coletiva da equipe de trabalho”. A partir de um trabalho muito bem feito de avaliação do perfil dos colaboradores, aliado a uma estruturação do processo de recrutamento e seleção da companhia e um programa de treinamento e qualificação contínuo da equipe de trabalho, começamos comprovando que muitos dos “incompetentes” estavam, na verdade, nos lugares errados. Outros, que estavam no lugar certo, careciam de instrução contínua para aumentar seu nível de conhecimento e capacitação, mostrando-se extremamente competentes e produtivos em suas tarefas depois de implantadas as soluções propostas. O nível de “percepção da incompetência” da companhia que beirava os 80% da equipe de trabalho, caiu para 15% a 20% depois de todo este trabalho. Poucos foram os que se mostraram realmente sem qualquer utilidade e enquadramento nas atividades da empresa.

Por fim, desenvolvendo-se uma metodologia eficaz de recrutamento e seleção, iniciando-se com mapeamento correto da demanda de perfil e qualificação do profissional para cada função da empresa e, na sequencia, um método capaz de identificar este perfil e qualificação nos futuros candidatos a estas funções, foi possível minimizar sensivelmente as falhas de alocação das pessoas certas nas funções indicadas.

Nada do que foi feito neste e em outros casos representava qualquer solução revolucionária e ultramoderna. O revolucionário, e que está ligado a nossa metodologia de atendimento, foi encontrar um modelo de ferramentas que o cliente fosse capaz de absorver e se adaptar rapidamente, evitando ferramentas de gestão altamente complexas e superdimensionadas para empresas de menor porte, que é nosso cliente foco. Enfim, nada além do óbvio foi feito, mas, como já foi dito por Clarice Lispector: “O óbvio é a verdade mais difícil de se enxergar”. E é mesmo!

Fique atento! Se você é empresário e já passou da 1ª ou 2ª tentativa na busca por soluções para problemas crônicos de sua empresa, acredite! Seguramente está agindo por impulso, sem uma análise correta e sem um planejamento adequado. A chance de estar desperdiçando recursos e provocar um agravamento da situação é bem grande!